13 fev 2020        Cultura, História da Moda

A Beleza na Antiguidade


A BELEZA NA ANTIGUIDADE

De forma cônica, o tubo apresentado servia para armazenar este tipo de maquiagem. Este em questão é feito com faiança azulada e possui o prenome de Amenhotep III e o nome da Grande Esposa Real Tiye o que levanta a probabilidade de ter pertencido a um (a) alto (a) funcionário (a), um membro da realeza ou ao próprio casal real. Atualmente ele pertence ao acervo do Brooklyn Museum.

O Kohl era o produto originado do sulfeto de chumbo, era triturado e transformado em pó, misturado com gordura animal para que adquirisse uma forma viscosa e aderente, transformado em uma espécie de lápis feito de osso ou madeira, caindo em desuso quando Roma dominou o Egito, como acontece em todo processo de dominação, os dominadores se apropriam de tudo e tentam impor todos os traços ligados à sua cultura, banindo os costumes da cultura dominada.

Atriz Elizabeth Taylor representando Cleópatra no cinema em 1963

“A gordura (era) aplicada ao rosto, com um pequeno ramo ou vareta, ou com um buril de madeira, osso ou marfim. Nos tempos antigos, o buril tinha uma pequena caixa que formavam compacto e elegante estojo.” Beauty Treatment in Ancient Egypt, um elegante folheto publicado pelo Departamento de Turismo do Governo do Egito. O folheto dizia que o tratamento repelia moscas, protegia os olhos contra o sol e estimulava a glândula lacrimal, promovendo uma constante limpeza. Mas acredita-se que a maneira como ele era aplicado, alongando a linha dos olhos, era uma referência a Hórus, o deus do céu com cabeça de falcão, portador da luz.

Podemos perceber que a história do delineador, teve origem na Mesopotâmia e no Antigo Egito, por volta de 10 mil anos a.C. O uso desse adorno, era para os homens e mulheres, independentemente de classe social, servia como proteção dos olhos do insuportável calor e tempestade de areia da região onde viviam.Os antigos egípcios acreditavam que o asseio e a beleza, estavam próximos da divindade.


O exemplo mais antigo de um ícone de beleza

Cleópatra talvez seja o exemplo mais antigo de um ícone de beleza, precursora das sobrancelhas suaves que nos contemplam até hoje. Apesar de todas as lendas a respeito, apenas uma coisa é certa: ela de fato existiu.

Cleópatra VII – a última e mais notória da linhagem – nasceu na dinastia ptolemaica em 69 a.C. Eles se designavam faraós, mas na realidade eram gregos; o primeiro membro da dinastia servira como general sob o reinado de Alexandre o Grande. Cleópatra tinha se integrado mais à cultura do que os seus antepassados, que não se dignavam nem mesmo a falar egípcio. Uma tabuinha de pedra no Louvre, de 51 a.C., a retrata apresentando uma oferenda para a deusa Ísis, de quem ela afirma ser uma reencarnação. Seguindo a tradição da época, a Rainha do Egito está vestida como um homem.

Representação de Cleópatra em uma moeda na Roma Antiga

Existem poucas evidências que indiquem que Cleópatra tinha uma grande beleza. As moedas romanas a retratam com um nariz adunco e um maxilar saliente.

Cleópatra se banhava em leite de asno?

Não existe nenhuma prova, embora a indústria da beleza utilizado dessa história. Existiu uma marca francesa de sabonete, na década de oitenta, que se chamava Cleópatra. O comercial da televisão mostrava a rainha entrando no seu quarto de banho, acompanhada por seus empregados. É provável que a rainha se submetesse a um regime rigoroso de beleza rotineiramente, à semelhança de muitos governantes que a antecederam.

A descoberta do túmulo de Tutankhamon em 1922 está ligada a influência do uso de delineador pelas mulheres daquela época. A descoberta se tornou assunto do mundo, gerando um interesse da sociedade por tudo que envolvia esse assunto, livros, filmes, danças egípcias e até bebidas temáticas, exceto nos Estados Unidos que vigorava a Lei Seca. A indústria da beleza investiu em embalagens que remetiam à cultura egípcia, incluindo a volta do delineador estilo Cleópatra. Não foi apenas na indústria da beleza que o Egito inspirou criações, a indústria da moda, com cores, estampas, padrões também foi influenciado com a estética das antigas civilizações egípcias. Na década de 1960, a designer Mary Quant foi o símbolo da popularização dos olhos bem contornados, preto e branco. Madonna, rainha do pop e a personificação das tendências na década de 1980, usavam delineados coloridos, cada vez mais inúmeras cores e formas de usar foram inseridas de uma vez por todas na nécessaire feminina. No início do século XXI, o contorno e a sombra preta foram símbolos da moda punk e gótica em Londres. Jillian Dempsey, diretora criativa de cor da Avon, famosa maquiadora internacional, lançou o Professional Kohl Eye Liner, com ótima definição e cor intensa.

Representação da rainha mais famosa do Egito nas Artes


Escultura de François Barois, exposta no Museu do Louvre, em Paris. Na escultura de Barois, a rainha está se contorcendo voluptuosamente em um divã depois de ser picada pela famosa víbora.

Le débarquement de Cléopâtre à Tarse de Claude Lorrain foi retratado um evento que precedeu a sua sedução do general romano Marco Antonio, Cleópatra é uma figura diminuta, ofuscada pela flotilha de navios que oscilava perto do cais, as magníficas construções que se elevam sobre o seu séquito e o pôr do sol que atrai o olhar para o horizonte.

Na aquarela de Gustave Moreau do final do século XIX, Cleópatra é a estrela do espetáculo. Guardada nos arquivos do Museu do Louvre, Paris


Rotina #skincare de uma egípcia na aristocracia na Antiguidade:

Acordando pela manhã, elas se banhavam com o agente de limpeza versátil netjeri – ou natrão, um mineral extraído do leite seco dos lagos – misturado com óleo para formar sabão. Os egípcios também usavam o natrão em diferentes diluições para limpar os dentes, desinfetar ferimentos e auxiliar no processo de mumificação, devido às suas qualidades antibacterianas (ele é uma mistura de carbonato de sódio, bicarbonato de sódio e sal).

O banho culminava num tratamento esfoliante que usava uma pasta chamada soubou contendo argila e cinza. Em seguida vinha uma massagem com óleo perfumado. Os egípcios se mantinham perfumados no forte calor do verão aplicando na pele um unguento de terebintina e incenso.

As mulheres egípcias empoavam a pele com ocre para atribuir a ela uma tonalidade dourada. Além de delinear os olhos com Kohl, elas pintavam as pálpebras com malaquita, turquesa, terracota ou carvão vegetal. Elas tiravam a sobrancelha e a alongavam, e escureciam os cílios. Os lábios eram ruborizados com carmim.

O estilo do penteado variava de acordo com a época e a ocasião. As mulheres usavam tiraras de metal e alfinetes de marfim para prender os cachos. Pierre Montet afirma que na época de Ramsés, o cabelo era cortado curto e amarrado pequenas tranças. Outras fontes dizem que as mulheres desse mesmo período raspavam a cabeça e usavam perucas perfumadas de sedas, pelo de cavalo ou até mesmo de cabelo humano, as quais tinham cachos soltos ou apertados, realçados com fios de ouro. As joias eram em geral abundantes, tanto para fins puramente ornamentais quanto na forma de amuletos para afugentar os maus espíritos.

As unhas eram polidas ou coloridas com hena; esta última provavelmente também era usada para decorar a pele. As famílias ricas possuíam um sofisticado conjunto de instrumentos de beleza: pentes e pinças, lâminas recurvadas e pequenas; navalhas que tinham evoluído de pedras afiadas para lascas de bronze. Discos circulares de bronze eram usados como espelho; também foram encontrados espelhos de cobre, prata e ouro. O Egito se tornou o eixo de um verdadeiro comércio de beleza.


Gabriela Oliveira
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