26 set 2019        Cultura

O paradoxo do luxo na cidade da moda e os movimentos sociais.

A França é caracterizada pelo luxo tanto quanto por protestos políticos e movimentos sociais, como os “Coletes Amarelos[i]” e “Black Blocs”, grupos de movimentos refletem na sociedade seus anseios tanto quanto as marcas famosas na Rua Saint Honoré e arredores inspiram a todos pelo desejo do fruto proibido. A jornalista Laurence Benaim, enfatiza em sua matéria para o veículo de comunicação de moda mais famoso do mundo, que manifestantes marcaram “Luxo para todos” na Champ Elysées, ela acredita que essa violência reflete o fascínio paradoxal e a rejeição, o ódio e o desejo por bens de luxo, incorporados na sociedade francesa, no entanto, agora chegou num ponto de importante consideração.

Loja Repetto em Paris, com a frase de protesto “Revolution 1789” fazendo menção a Revolução Francesa.

De acordo com o jornal The Business of Fashion, a indústria da moda gera 150 bilhões de euro por ano, ultrapassando juntos os setores automotivo e aeronáutico, empregando 580 mil pessoas sendo acusada por movimentos sociais de ser “anti-social”. Ao mesmo tempo que o país foi símbolo de sofisticação e esplendor, desde dos tempos do Antigo Regime de Maria Antonieta ou ascendente de seu esposo o Rei “Sol” Luís XIV, tudo isso desde daquela época foi questionado na Revolução Francesa, e trás na herança do povo francês, o questionamento de tamanha suntuosidade e ostentação, por poucos e uma massa vivendo com pouco,  na herança do povo francês, o filósofo francês Pascal Brucker define diante desse cenário o luxo se torna vergonhoso e degradante. Benaim usa a famosa frase do escritor francês Balzac, “atrás de toda grande fortuna há um (grande) crime”.

Presidente francês e sua esposa, Emmanuel e Brigite Macron

 A jornalista ainda Benaim aproveita e fazendo um paralelo dos tempos que antecederam que a Revolução Francesa [ii]e marcou a história do país, com os coletes amarelos, fazendo uma analogia aos antigos manifestos, os “sans culotes[iii]” com a atual primeira dama francesa, Brigitte Macron, na qual encomendou um conjunto de porcelanas da Manufacture de Sèvres e reformou o salão de banques do Palácio Elysées, os jardins de inverno e o salão de Napoleão, lembrando as atitudes monárquicas da rainha guilhotinada Maria Antonieta que esbanjava em tempos de crise todo o dinheiro em vestidos, festas e jogos.


[i] Os “coletes amarelos” (gilet jaunes, em francês) são, manifestantes. Eles se multiplicaram aos poucos no ano de 2018. Partiram de zonas rurais e dos subúrbios franceses e avançaram na direção dos centros urbanos, até juntarem mais de 8.000 pessoas na Champs Elysée, a principal avenida de Paris, numa marcha que terminou em choque com a polícia. A peça da vestimenta, o colete amarelo – ou, às vezes, verde limão –, virou marca registrada e nome do grupo. Com a hashtag #giletjaune, os manifestantes passaram a convocar protestos cada vez mais numerosos e sintonizar o discurso via redes sociais.

[ii] Revolução 1789 (Revolution 1789), essa frase foi pintada na vitrine da loja Repetto, na Champs-Elysées.

[iii] Sans-culotte  aristocratas aos artesãos, trabalhadores e até pequenos proprietários que participaram na Revolução Francesa, principalmente em Paris. Livremente traduzido da língua francesa como “sem calção”, o culote era uma espécie de calções justos que se apertavam na altura dos joelhos, vestimenta típica da nobreza naquele país à época. Em seu lugar, os “sans-culottes” vestiam uma calça comprida de algodão grosseiro, traje  utilizado pelos burgueses. Estes eram, normalmente, os líderes das manifestações nas ruas.

Gabriela Oliveira
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